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Servidores do Banco Central são alvo de operação da PF no caso Master
Homens teriam repassado informações internas em troca de propina
Radioagência Nacional - Por Gabriel Brum
Publicado em 05/03/2026 08:43
Justiça
© Foto Agência Brasil: Antonio Cruz

Dois ex-chefes do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC) teriam atuado como “consultores” e repassado informações internas ao Banco Master em troca de propina. Belline Santana, ex-chefe do setor, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe-adjunto, foram alvos da terceira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, nesta quarta-feira (4).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afastou os dois dos cargos e determinou que entreguem os passaportes e sejam monitorados com tornozeleira eletrônica. Eles também foram proibidos de manter contato com outros suspeitos, de sair da cidade em que moram e de acessar as dependências do Banco Central.

Investigações

De acordo com as investigações, Paulo Sérgio orientava como o banqueiro Daniel Vorcaro deveria responder a questionamentos que poderiam ser levantados por autoridades do Banco Central. Além disso, ele tentava influenciar a análise de processos administrativos e fornecia informações sobre procedimentos. Paulo Sérgio chegou a avisar Vorcaro, dono do Master, sobre movimentações suspeitas identificadas pelos sistemas do Banco Central. Em contrapartida, recebia vantagens indevidas.

O ex-chefe da supervisão Belline Santana acompanhava de perto as decisões e movimentações institucionais envolvendo o Banco Master e orientava o banqueiro sobre como agir. Santana teria recebido propina por meio de uma contratação simulada de uma empresa montada especificamente para isso. O pagamento teria sido comprovado, segundo a PF, em mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel, outro envolvido no esquema.

BC se manifesta

Em nota, o Banco Central explicou que identificou os indícios de vantagens indevidas pelos dois servidores durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. Por isso, decidiu afastá-los cautelarmente dos cargos e do acesso à instituição e a sistemas, além de repassar as informações à Polícia Federal. Afirmou ainda que tem convicção de que o trabalho da PF é um “passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos”.

Defesas

A defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações. O advogado de Fabiano Zettel informou que o cliente se apresentou à Polícia Federal e que não teve acesso às investigações. A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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